Vida nova

À hora de almoço recebi um telefonema da Raqs. Do lado de lá só ouvi um Olá! bem disposto. Percebi logo.

Não fiquei surpreendida, estava confiante quanto ao resultado. Fiquei aliviada, acho. No meu ponto de vista egoísta, não quero que ela vá. Mas fiquei mesmo mesmo feliz por saber que ela tem ali a libertação, que novembro é a luz que já se vê no final do túnel. Estou cheia de inveja desta mudança tão radical, desta nova vida que a espera, por isso vou imiscuir-me nos preparativos todos.

É em novembro. É já amanhã!

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“Foste despejada”

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Recebi uma mensagem da Raqs com esta fotografia e esta legenda.

Já lá tínhamos os charriot há cerca de 24 horas e um dos lados do armário dela ainda tinha roupa minha, por isso aproveitou um bocadinho livre e despachou-se, antes que eu mudasse de ideias. Agora já só lhe ocupo duas gavetas da cómoda e pouco mais.

#semtachonamesa

No nosso T1 temos a ideia – que, para já, temos conseguido seguir – de fazer uma edição semanal do jantar sem tacho na mesa. Até agora, o nosso convidado foi sempre o senhor Amsterdão, o que não é, de todo, uma queixa. Pelo contrário, acho que quer eu quer a R. gostamos de o receber. Ainda não pertencemos ao grupo dos amigos de toda a vida dele, mas andamos a fazer por lhe mostrar que não é esse o rótulo mais importante 😉 Apesar de ele não querer pertencer à nossa “família”, porque “família já tenho, obrigada”, somos fãs da companhia dele.

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Desamparo

Sabia que me ias fazer falta. Não achei que fosse andar pelos cantos a choramingar de saudades, tal como não o fiz, mas senti a tua falta, sim. Só me apercebi de quanto poucos dias antes de voltares. Já não era só não haver marcas da tua presença diária (e sei o quão creepy isto soa!), mas sim o facto de não estares mesmo quando cheguei tarde a casa e não tive de ter cuidado em fazer pouco barulho, ou quando acordei e a casa ainda estava toda às escuras, ou quando não liguei a televisão porque és uma das três pessoas com quem o faço, ou quando não tive jantar semanal contigo.

Senti-me desamparada. Não o tempo todo, mas houve aí um ou outro momento em que senti um aperto: se me acontecesse alguma coisa, ninguém dava conta a tempo e eu ficava para aí num canto até que alguém se lembrasse de que em tempos eu tinha existido. Só ontem me apercebi da segurança que a nossa comunicação quase constante e a tua preocupação comigo me dão.

Por outro lado, sinto-me em parte responsável por ti, por isso houve momentos em que me senti impotente por estares na outra ponta do mundo e eu não ter como chegar a ti se precisasses.

Não és responsável por mim, nada disso, mas acho que não há mais ninguém neste mundo que esteja tão presente, mesmo que se passem dias infinitos sem te pôr a vista em cima.

No entanto, deixava-te ir novamente, sem pensar duas vezes, porque os meus apertos foram inteiramente compensados quando te vi assim, melhor, bem, Raqs.

Namaste, Índia (espero que isto faça sentido!)

Dar nozes a quem não tem dentes

A R. é a pessoa mais sortuda que conheço em termos de toponímia: tem um só nome próprio que, ainda por cima, é o mais bonito que existe. Ainda assim, já dei por ela várias vezes a auto-ralhar-se e a acrescentar um “Maria” antes do nome.

Eu diria que é como dar pérolas a porcos…

Home

Neste verão, em plena saga das mudanças de casa, acampei. Por diversas vezes dei por mim a pensar que adorava quando as férias acabava, e eu tinha a minha casa, a minha cama, à minha espera, mas que daquela vez isso estava prestes a acabar. Rapidamente deixaria de ter um sítio a que chamar casa. De facto, assim foi, e durante alguns meses não tive o meu lugarzinho e todos os sítios onde dormia eram temporários.

Não fui uma indigente, não andei a dormir na rua nem nada que se pareça, mas tentava passar o menos tempo possível no sítio cuja renda pagava, onde me fartei de choramingar, questionando-me se alguma vez voltaria a ter o meu sofá.

O mundo, que, como já aqui dissemos as duas, é muito mais imprevisível do que aquilo que imaginamos, juntou-nos às duas num T1 numa das minhas zonas de eleição. Há quem não entenda, eu sei… E nem eu própria sei em que momento é que aqui cheguei, mas este T1 é, sem dúvida, a minha casa. Não foi decorado por mim, pouco cá há que seja meu, mas no final do dia, é para cá que quero voltar, é aqui que durmo bem, que as minhas coisas estão.

É aqui que estou em casa.

I will miss you!

Estou quase tão entusiasmada como tu com esta viagem, ainda que vá ficar cá sozinha com as nossas formigas de estimação. Tenho o feeling de que vão ser duas semanas ótimas e que vais voltar renovada.

Prometo que tomo conta do nosso T1 e que lhe vou falar de ti todas as noites para que não te esqueça!